[ANSOL-geral]Ainda os Dogmas

Carlos Baquero Moreno cbm arroba di.uminho.pt
Tue, 22 Jan 2002 15:55:35 +0000 (WET)


Sem querer re-avivar a discussão dobre os dogmas, as licenças e a
propriedade intelectual, apenas gostava de não deixar de exprimir a minha
preocupação sobre as desvantagens de uma postura demasiado extremada.

Sendo a associação vocacionada  para a defesa e divulgação do Software
Livre, será natural que o faça em detrimento de outros modelos, como o seja
o Software Aberto, o de Dominio Publico e o Software Fechado.

Deve-se ter em conta que há vantagens muitos importantes na manutenção de
formatos de dados abertos e que, na minha opinião, é muitas vezes mais grave
a existencia de formatos de dados fechados do que a de algoritmos fechados.
Tal deve-se ao facto de os dados serem resultado do esforço de quem usa o
producto e o algoritmo ser derivado do esforço do programador.
Não fiquem daqui a pensar que eu seja a favor de Patentes de Software, não é
esse o caso, antes pelo contrario.

Ora é possivel ter Software Aberto não Livre e Software Fechado que mantenham
compromissos de respeitar a utilização de formatos abertos para os dados por
eles geridos. Ora, para mim, é na apropriação dos dados dos outros que
reside o maleficio do Software Fechado. Não o facto em si de ele ser
fechado.

Da discussão anterior fiquei estupefacto com a ideia de que faz sentido
restringir a liberdade de um programador em decidir não expôr o seu
algoritmo, que é resultado do seu esforço pessoal.

Uma coisa é sugerir e defender o uso de Licenças Livres face aos beneficios
que estas trazem para a sociedade, outra coisa é assumir uma postura
ditatorial (e logo de muito pouca liberdade) face às escolhas individuais de
cada um. Para mim este privação de liberdade é pelo menos tão grave como a
apropriação e fecho dos dados produzidos por outros.
Como se viu acima é possível não permitir o melhoramento do algoritmo ou a
sua não exposição, sem com isso restringir a liberdade de acesso aos dados.

Dentro das minhas limitações de compreensão, tento acima de tudo preservar a
liberdade e a livre escolha, o que justifica a postura que acabei de escrever.

Tenho imenso respeito pelos dinamizadores desta Associação, mas pela
importância que o que aqui seja feito possa ter para que valores que todos
partilhamos sejam do beneficio de outras audiências no nosso Pais, que tão
mal informado anda, teria muita pena se fosse inevitável um postura extremada.

Há compromissos que desvirtuam os projectos, mas tambem há ausencias deles
que só trazem desvantagens.

Parece-me óbvio que aquilo que não seja um concenso simples entre os
leitores da lista, que são pessoas informadas sobre os problemas em questão,
será para o exterior algo ainda mais estranho e incompreensível.
Já é suficente a actual conotação de fanatismo que sobrecarrega este tipo de
tecnologia.

O que será preferível para a Associação ?

- Defender o Software Livre, reconhecendo-o no seu contexto e aceitando a
diversidade desde que acautelados os direitos de acesso aos registos
(eventualmente apoiando leis em que o estado deva tender para o uso de formatos
 de dados abertos). Ou mesmo, aceitando que um mercado informado saberá
optar por não escolher software fechado com dados fechados.

ou

- Defender a noção de que é simplesmente errado fazer Software Fechado ou
Software de Código Aberto não Livre e que o mundo da informática deve tender
inexoravelmente para 100% Software Livre, e que se calhar deveriam ser
feitas leis nesse sentido.

Penso que é obvia qual a posição que eu defendo. Acredito demasiado nas
vantagens da liberdade e diversidade para a manutenção da seta evolutiva, para
poder considerar estratégias mais dirigistas que acabam por chocar
com as limitações humanas.

Se quiserem ajudem-me a perceber até que ponto estou des-sincronizado com a
visão dos dinamizadores. Se calhar assutei-me e vi as coisas mais extremadas
do que o que elas efectivamente são.

Talvez no dia 2 dê para dedicar um pouco de tempo a esta questão ideológica,
que me parece ser fundamental estabilizar.

Carlos

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Carlos Baquero
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